Estudei na Universidade de Passo Fundo durante a minha graduação em Letras. Durante boa parte desses quatro anos, trabalhei no Centro de Referência de Literatura e Multimeios (meu querido "Mundo da Leitura"). O mais legal disso tudo foi participar ativamente de um dos maiores eventos mundiais destinados a uma das minhas maiores paixões: a literatura (garanto: não é exagero).
Agora, o porquê dessa paixão: desde que me conheço por gente - e minhas lembranças mais remotas são de uma Gabriela pequenina, ainda em Chapada (pra quem não sabe, cidade também pequenina do interior do Rio Grande do Sul) -, tive os livros como melhores amigos. O Rio Grande é bastante frio. Assim como o frio é (e continua sendo) marcante, as leituras em volta da lareira, ou do fogão a lenha, são ainda mais marcantes, principalmente quando se é criança. Então, lembro-me dos meus pais, o Ruben e a Angela, lendo e contando histórias interessantíssimas pra mim - todos em volta da lareira. E a Gabriela nem tão pequenina assim - já com nove, dez anos - começou a acompanhar sua mãe nas Jornadas Nacionais de Literatura. Sim, sou (orgulhosamente) filha de professores - pelo jeito, os únicos que não se orgulham dessa classe são os governos. Eu contava muito ansiosamente a passagem dois anos. Não só porque queria ser adolescente, mas também porque queria participar das Jornadas. E como participei! Lembro-me de uma fila interminável, ainda quando o evento era aqui pertinho de casa, no Boqueirão. Aliás, foi nesse ano que conheci = e conversei! - com Ana Maria Machado. Pra uma guria que devorou o "Isso ninguém me tira", pode haver algo mais marcante? NÃO. Não, mesmo. Anos depois, com a Jornada ocorrendo onde hoje é o Bourbon Shopping, conheci o Ziraldo. Sim, eu era fã do menino maluquinho. Em 2001, com o circo montado na Universidade de Passo Fundo, mais uma vez lá estava eu. Em 2003, aluna do terceiro ano do ensino médio, de novo. Em 2005, a grande mudança: a Gabriela apaixonada pelas letras, de participante, passou a se envolver diretamente na organização do evento. Perfeito, muito perfeito. Tudo o que eu mais queria. E isso se repetiu em 2009. Resumindo: minha paixão pela literatura - e pelas Jornadas - é de longa data.
Quando iniciei esta postagem, minha idéia era comentar sobre uma reportagem da revista "IstoÉ" desta semana, intitulada "Crianças, as campeãs de leitura". Lá pelas tantas, há a seguinte afirmação: "... ler para a criança é fundamental para a formação de uma sociedade afeita às letras. [...] dois em cada três leitores se recordam dos pais ou adultos envolvidos com livros em casa. Na mesma proporção, quem não tem esta lembrança da infância, também não desenvolveu o hábito" (p. 82). E quer prova melhor disso do que eu?!
Daí, um pouco mais adiante, me deparo com o seguinte: "Ler com música costuma causar estranheza em muitos pais e educadores, mas o hábito é apontado como uma das razões para a intimidade com as letras. É o que defende a pesquisadora de leitura e formação do leitor, Tania Rösing, professora da Universidade de Passo Fundo (RS). Na opinião dela, o mercado editorial está sendo assediado pelo mundo eletrônico e um não deve excluir o outro. "Os jogos de computadores têm narração, personagens, apresentam obstáculos e tempos distintos, o que é semelhante a um livro literário", diz Tania, coordenadora da Jornada Nacional de Literatura de Passo Fundo (RS), uma das maiores feiras literárias do País" (aí, discordo: é muito mais do que uma feira; e outra: não é uma das maiores do país - é A MAIOR do país; única e insubstituível). E essa geração aí, nascida a partir dos anos 90, que os pesquisadores vêm chamando de "Homo Zappiens".
Além de coordenar a Jornada, a Tania também coordena o "Mundo da Leitura". Trabalhei lá, já diss, e aprendi muito. Como não homenagear, então, a criadora de duas coisas que marcam demais a minha vida?!
Ass.: Gabriela, filha, também, da Jornada.
Mão
8 horas atrás

